Toda a Verdade

Pouco antes de Sua partida, Jesus disse algo: "Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade" (João 16:13a)

Primeiramente, vejamos o que é "A verdade".  Em João 17:17 vemos: "Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade". Então, conclui-se que o Espírito guiaria a toda Palavra de Deus. Não a parte, mas toda.

Jesus disse isso a quem? Vemos que no contexto do Capítulo 13 ao 17 de João Jesus está em particular com seus discípulos. Então Jesus está falando que o Espírito Santo guiaria aqueles discípulos a toda a verdade da palavra de Deus.

De fato, num tempo depois o Espirito Santo veio aos apóstolos (Atos 2:4) e os guiou a toda a verdade, e graças a Deus essa verdade chegou até nós: "Visto como o seu divino poder nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou por sua própria glória e virtude" (1 Pedro 1:3)

Tiago a chama de Lei Perfeita: "Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita..." (Tiago 1:25). O que é perfeito é completo. Tudo que Deus fala aos homens está completamente revelado nas Escrituras.

E se alguém falar algo diferente, lembre-se de Gálatas 1:8, 9:  "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema."

Precisamos ser felizes?

"Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração. Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração. O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria. Melhor é ouvir a repreensão do sábio, do que ouvir alguém a canção do tolo." Eclesiastes 7:2-5
 
Talvez em nenhuma outra época a felicidade esteja sendo tão buscada pelas pessoas. O "direito a ser feliz" está nas ruas, nas propagandas, nas bancas de jornais, nos templos, em centenas de publicações de auto-ajuda. Mas uma pergunta se impõe diante de cristãos e não cristãos: por que, afinal, precisamos ser felizes?

Jesus Cristo nunca abordou diretamente a felicidade, no sentido de dizer aos que o ouviram que eles deveriam buscá-la e que eles mereciam tê-la.

Jesus falou em sermos "bem-aventurados" no contexto do Sermão do Monte mas o fez falando para uma multidão que julgou dura a sua mensagem. Estaria ela disposta ao sacrifício de trazer para a vida terrena as condições do Reino do Pai? Em outras palavras, a "felicidade" que Jesus recomendava não tinha e continua não tendo nada a ver com os conceitos que dela conhecemos e fazemos uso.

Em primeiro lugar é preciso dizer: nenhuma felicidade pode ser maior que a alegria reverente pelo sacrifício de Jesus na Cruz. Este é o supremo fato a nos encorajar e a nos alegrar. Tudo o mais é menor e não deve ter mais importância que aquilo que nos permite subir aos céus.

Em segundo lugar, ao cristão não está prometida nenhuma felicidade exceto a que provém da Cruz. Ao contrário: Jesus nos convida à santificação e isso significa negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo. Não há mensagem mais conflitante com os padrões de felicidade do que esta. O mundo, ou o homem natural, jamais entenderá que, para ser feliz é preciso fazer e buscar o absoluto contrário do que fazemos para obter a felicidade.

Pois o que Cristo nos diz é isso: para sermos espiritualmente felizes, precisamos rejeitar os bens e desejos que são alvo da cobiça humana em busca da satisfação pessoal. Precisamos viver de acordo com os preceitos do reino do Pai e isso será visto como infelicidade para o mundo em pecado.

Precisamos refletir em nossos desejos e verificar se não estamos fazendo deles um meio de buscar a felicidade terrena, falsa e enganosa. É melhor abdicar de todos os sonhos de consumo e tentar compreender o que Deus quer de nós. Segui-lo significará um bem-estar infinitamente superior a qualquer sensação de felicidade que possa advir de desejos cumpridos e objetos comprados.

Afinal, precisamos ser felizes ou precisamos, simplesmente, obedecer ao  Deus da Bíblia?  

Acima da vaidade, o Amor

"De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau." Eclesiastes 12:13,14

Salomão, um dos homens mais poderosos que já viveram sobre a terra em todos os tempos, frustrou-se com a riqueza, mulheres, poder e sabedoria. Após examinar a vida a partir de vários de seus aspectos, concluiu que tudo pode ser resumido como "correr atrás do vento". O vazio observado pelo Rei de Israel foi traduzido na expressão que resume o Livro de Eclesiastes, atribuído a ele: "Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito (1:14)". Vaidade, tudo é vaidade, conclui o sábio Rei.
 
A palavra "vaidade" tem sua origem na mesma gênese da qual derivam as palavras "vácuo e vazio". É a inexistência de substância, de algum valor que dê sentido à vida humana.
 
Mas diante da triste constatação, o que nos sugere o Livro de Eclesiastes? Sugere que entreguemos nossa vida ao Senhor. É nele que devem repousar nossa esperança e nossa felicidade. É a Ele que devemos atrelar nossos afazeres cotidianos e condicionar toda a tentativa de bem-estar nesta vida. Afinal, sem Ele restam apenas as trevas e a amargura.
 
Porque tudo é vaidade, devemos nos entregar ao pessimismo ou até mesmo nos entregar à carne e suas sensualidade? Porque tudo é vaidade devemos seguir as recomendações do mundo e fazer valer o suposto direito que temos de ser felizes a qualquer preço e às custas do próximo?
 
A resposta é não. Devemos cumprir com nossas obrigações e responsabilidades e buscar a Santificação. Entregando tudo a Deus e fazendo tudo para Sua Glória, louvando-O e orando pela Sua misericórdia. Vamos trabalhar, estudar e praticar o Amor de Cristo tendo o Criador como nossa âncora e motivo de todas as nossas ações. Salomão, o homem mais sábio, chegou a essa conclusão. E nós? A qual chegaremos?

Santificados? Ou ainda carnais?

"Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?" Gálatas 3:3

Há um problema em comum quando vemos as inúmeras doutrinas humanas cujo ponto de partida é a legítima busca pela santificação. Ao acrescentar mitos, rituais, adorações "extrabíblicas" ou procedimentos alheios ao texto das Escrituras inspiradas pelo Senhor, notamos que o ímpeto a movê-las não é espiritual e sim carnal.

Há um grupo de cristãos, por exemplo, que fazem "limpezas espirituais" esquecendo que não há outra limpeza que não do batismo nas águas para  remissão dos pecados. O problema é esse: a criação de um suposto procedimento de purificação acaba tomando o lugar do único e bíblico procedimento: justamente o batismo por imersão nas águas.

É, pois, necessário dizer: toda vez que criamos uma noção de santidade não contemplada e provada na Bíblia, estamos enfraquecendo o poder que o Evangelho tem sobre nós pois ele é a única força espiritual capaz de mudar a natureza do ser humano.

Mas quais podem ser os sinais a nos indicar que estamos no caminho contrário àquele tão buscado e santificador? Tomemos alguns exemplos:

São milhares os jovens que tocam instrumentos musiciais ou usam a voz em louvores que se transformaram em verdadeiros shows midiáticos liderados  por "bispos", "pastores", "pastoras" e lideres religiosos. O problema é que, neste caminho, sobram louvores para si próprios e falta a autêntica homenagem a Deus. Acredito que, até sem querer, acabamos por viver num círculo de vaidades e não percebemos que o motivo do louvor, o Deus da Bíblia, fica em segundo plano perante o sucesso e o frenesi em torno do artista que costuma ser também, o próprio líder espiritual de tal Igreja. Se não é, pode vir a sê-lo.

É que fulano tem o "dom", beltrano é "inspirado" por Deus. Ciclana "profetiza" em nome de Jesus. O mais comum e perigoso é que, sem entrar neste momento em considerações bíblicas que desaprovam estas doutrinas baseadas em dons e profecias (assim como o falar em línguas), o mais perigoso é que acabamos por acreditar naquilo que dizem a nosso respeito e assim vamos nos distanciando do Pai. Colocamos a nossa fé no espelho que reflete um bem sucedido e confortável cristão e não em Jesus e os discípulos martirizados.

Ao invés de contemplarmos um homem em dúvida, vemos um homem convicto de seu próprio sucesso como cristão em serviço ao Criador. Que enganosa pode ser essa imagem.

A pergunta que devemos fazer é: estamos tomando decisões baseados na vontade de Deus ou baseados numa aparente vontade de Deus, baseada, por sua vez, em nossos próprios desejos?

Estamos escolhendo caminhos em linha com a Palavra de Deus ou estamos escolhendo caminhos norteados por supostas revelações divinas?

Se estamos fazendo coisas contra a nossa vontade, é um bom sinal. E se estamos sofrendo por Cristo, também. Isso indica que estamos conseguindo superar a Carne, a vaidade, os desejos enganosos que provêm do coração humano e não de Deus. Mas se estamos fazendo coisas de acordo com o que desejamos, vale um alerta: será que Deus está mesmo nessa decisão?

Em outras palavras, nossas vidas se assemelham, guardadas as proporções das circuntâncias como local e tempo, a homens como Estevão, Paulo e Pedro? Ou nosso comportamento e crenças estão nos transformando no oposto deles? Ao invés de alegres pelo sofrer com e por Cristo, felizes por realizar nossas próprias aspirações no âmbito de uma congregação.

Essa ponta de dúvida é fundamental para que possamos parar e refletir sobre o que estamos fazendo. A compra de carros, de apartamentos, uma suposta "evolução" na vida, a nos deixar preenchidos, podem esconder uma tragédia: em busca da santificação, acabamos atraídos pela carnalidade embutida em todas essas conquistas.

O conforto, os cada vez mais elevados padrões de vida, os elogios, o espelho cada vez mais brilhante não estão a nos mostrar essa danosa distância em relação aos que sofreram por Cristo?

Ora, se devemos ser santos porque Ele é Santo (Lv 20:26), não há uma gritante e afrontosa desconexão entre o modelo cristão dos primeiros apóstolos e o nosso comportamento? Sob o nosso próprio engrandecimento e sucesso, ainda que inseridos numa Igreja, não estamos fazendo e sendo exemplos daquilo que criticamos tanto entre os mundanos?

Precisamos responder a esta pergunta voltando para o espelho. Mas com uma Bíblia nas mãos aberta em 2 Coríntios 11:23-27, que diz:

"São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez."

Criticando a religião de outras pessoas?

Nós ouvimos freqüentemente que as pessoas costumam dizer, "eu não aceito criticar a religião de outras pessoas." Algumas pessoas ficam até irritadas – até mesmo violentas - quando as pessoas conflitam sua opinião. Certamente nós não devemos condenar as opiniões que são agradáveis a Deus, mas fazemos este meio que nós devemos é mesmo evitar indicar os erros religiosos e doutrinário de outros? Suponha que você sabe que um assassino arrombou a casa de um amigo seu, e está dentro da casa esperando ele chegar, mas seu amigo não sabe de nada. Quando você vê seu amigo indo para sua casa, o que você deve fazer? Certamente você não apenas deixaria ele ir para ser morto? Você não deve tentar o advertir sobre o perigo?
 
Agora suponha que seu amigo acredita em uma doutrina religiosa falsa. Mateus 7:15-23 adverte que muitas pessoas serão assim iludidas e pensarão que estão conservados salvos quando estão perdidos realmente. Suponha que este é o caso de seu amigo. Não sabe que está perdido, mas você o sabe. O que você deve fazer? Deve apenas deixa-lo ir sobre a condenação eterna? Certamente se você o ama, você deve adverti-lo dizendo-lhe sobre seu erro, você não deve? Claro que sim!

O que dizer sobre Jesus e seus apóstolos - falaram abertamente ao encontro do pecado nas vidas de outros, ou eles fizeram apenas "deixe a outra pessoa em paz" pois isso é opinião dela? Deixe-me sugerir uma ótima experiência. Comece ler o Novo Testamento, e faça uma anotação de cada passagem em que você encontra o erro religioso que está sendo repreendido por mestres fiéis a palavra de Deus. Eu afirmo que você terá muita dificuldade de encontrar nas páginas do Novo Testamento onde o erro não é condenado.

Do mesmo modo, nós devemos reprovar e repreender o erro, não por algum sentimento de orgulho ou superioridade, mas porque nós amamos verdadeiramente as almas das pessoas (2 Timóteo 4:2-4). Jesus disse: "Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te" (Apocalipse 3:19).