O Poder do Amor em Cristo

Quando chegaram ao lugar chamado "A Caveira", ali crucificaram a  Jesus e aos dois criminosos, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem". Depois, repartiram as vestes de Jesus, tirando a sorte" Lucas 23:33-34

Jesus Cristo, o Filho de Deus, morreu por nós pecadores na Cruz. No alto do Calvário, Ele pede ao Pai que perdoe os que clamaram por sua morte. Está sofrendo desde que começou seu martírio no Jardim do Getsêmani mas agora começa a agonizar com os pregos que perfuraram-lhe as extremidades do corpo.

Mesmo com tal sofrimento e incrível dor, Ele roga por aqueles que o cuspiram no rosto, que o zombaram, que o açoitaram e que articularam sua crucificação.

É difícil para nós compreendermos Jesus. Os menos esclarecidos dirão que Ele foi covarde. Há quem o qualifique como um louco. Podem pensar como os sumos sacerdotes que diziam que, se Ele fosse o Cristo, salvaria a si mesmo, depois de ter salvado outros antes.

Enquanto não compreendermos e sentirmos o Amor de Cristo não teremos a chave para entender seu gesto. Corremos o risco de fazer parte da massa ignorante e arrogante. Tudo se perderá na interpretação vã e estéril do sacrifício na cruz baseada a partir das experiências humanas. E, acima de qualquer esforço, apenas quem nasce de Deus conhece o Amor do Pai.

O problema está nisso: em ver a atitude de Jesus descrita em Lucas com as lentes da afeição natural e das paixões humanas. Esse olhar carnal não enxergará aquilo que apenas o espiritual vê e compreende. O fato é que Jesus amou seus inimigos e que o Pai amou a humanidade pecadora e desobediente enviando seu filho para nos livrar da morte eterna. Ele prova seu amor pelos homens porque Cristo foi morto sendo ainda nós pecadores (Rm 5:8). Esse amor é o verdadeiro e único modelo para a nossa salvação.

Porque Ele nos amou primeiro, devemos agora amá-lo como Ele ama. Mas jamais conseguiremos fazê-lo se não obedecermos as Palavras da Vida Eterna escritas no Novo Testamento. Consideras impossível amar o próximo e os inimigos? Acreditas ser inútil qualquer esforço neste sentido? Abandone os mitos, a idolatria e as paixões carnais. Experimente viver no Amor de Cristo e isso se tornará realidade em tua vida.

Sobre o Amor verdadeiro

"Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito." 1 João 4:7-13

É comum ouvirmos falar em amor verdadeiro, como se o amor que sentimos pela esposa, pais, filhos ou alguém especial fosse um amor mentiroso, um falso amor. Afinal, qual a diferença entre o amor dito verdadeiro daquele que sentimos que temos pelos amigos e familiares?

A diferença é que o amor chamado de verdadeiro é o amor espiritual, derramado por Jesus Cristo na cruz em nosso benefício. É o amor desinteressado, gratuito, que não busca recompensas. É o avesso do amor carnal, que ama apenas os amigos ou que ama por egoísmo. Ou que se transforma em ódio, a depender dos ventos da paixão humana.

E é possível sentir o amor verdadeiro? Sim, se nascermos de Cristo, se nos tornarmos novas criaturas. Como uma herança de pai para filho,  iremos sentir e viver com o amor espiritual em substituição ao carnal. Amaremos nossos inimigos, amaremos o próximo, como na parábola do bom samaritano que desconhecia a pessoa a quem ofereceu ajuda e cuidados.

Que fique claro que não merecemos o amor espiritual e que não temos mérito algum em obtê-lo. Ele é herdado, nos é dado por Deus que amou a humanidade que o havia rejeitado. Sim, lembremos que Ele nos amou embora nós fôssemos repugnantes aos seus olhos por causa do nosso pecado.

Como diz João em sua belíssima carta, devemos fazer o mesmo que o Pai. Devemos amar como ele nos ama. Devemos amar mesmo aquelas pessoas que não merecem o nosso amor pois nós mesmos não merecíamos o amor com o qual Ele nos amou.

O que os homens chamam de amor verdadeiro não se pode comprar. Não há mágicas, receitas místicas ou algo fora da Bíblia que possa fazer com que o sintamos. Apenas o Espírito Santo o concede aos obedientes e aos que nascem não da carne e desejo humano e sim daqueles nascidos de Deus. O primeiro passo para ganhar essa maravilhosa bênção começa por negar-se a si mesmo, abandonar os próprios desejos e fazer sobretudo a vontade do Pai e não a nossa. Estaremos maduros para compreender a mensagem central do Evangelho e dar este primeiro passo em direção ao Amor espiritual? Ou preferimos nos resignar às paixões carnais e egoístas?

Muito cuidado!

"No dia em que o Senhor lhes falou do meio do fogo em Horebe, vocês não viram forma alguma. Portanto, tenham muito cuidado, para que não se corrompam e não façam para si um ídolo, uma imagem de qualquer forma semelhante a homem ou mulher, ou a qualquer animal da terra ou a qualquer ave que voa no céu, ou a qualquer criatura que se move rente ao chão ou a qualquer peixe que vive nas águas debaixo da terra. E para que, ao erguerem os olhos ao céu e virem o sol, a lua e as estrelas, todos os corpos celestes, vocês não se desviem e se prostrem diante deles, e prestem culto àquilo que o Senhor, o seu Deus, distribuiu a todos os povos debaixo do céu." Deuteronômio 4:15-19

Essas passagens são tão claras que qualquer um que alega acreditar em Deus pode observa-las na Bíblia e entende-las. Isso mostra bem o que vem a ser a idolatria. Qualquer imagem, seja de homem, mulher ou animal, é algo repugnante para Deus, bem como a orientação baseado nos corpos celestes, isto é, a astrologia. Ninguém que queira ter uma relação com Deus deve se envolver com tais coisas.

É evidente a aversão por parte de Deus a tais práticas. Por isso vale a pena reforçar:

"Tenham o cuidado de não esquecer da aliança que o Senhor, o seu Deus, fez com vocês; não façam para si ídolo algum com a forma de qualquer coisa que o Senhor, o seu Deus, proibiu. Pois o Senhor, o seu Deus, é Deus zeloso; é fogo consumidor." (Deuteronômio 4:23,24; veja 1 João 5:21)

Idólatras, cuidado! Deus é um terrível fogo consumidor (cf. Hebreus 12:29; 10:31; 2 Tessalonicenses 1:7,8).

Pistolas ao bosque

"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." 1 Coríntios 13:1-7

Num de seus livros, verdadeiros clássicos da literatura mundial, o escritor russo Fiódor Dostoievski, ao narrar a juventude de um de seus personagens, um monge asceta que vive como um santo num mosteiro, nos conta que ele, aos vinte e tantos anos, decidiu chamar o noivo de uma bela jovem que cortejava para um duelo.

O moço nada lhe havia feito e a jovem, espontaneamente e por amor, decidira casar-se com ele, tornando as pretensões do outro impossíveis de realizarem-se.

Agindo com o ego ferido e com orgulho, partira então para um ato extremo: o duelo. Acontece que na madrugada que antecederia a sangrenta disputa, o monge, que ainda não era monge, mudara de ideia e arrependera-se. Ele vai para o duelo, deixa-se balear de raspão no rosto e quando chega a sua vez de atirar, joga a pistola para o bosque e vai encontro do seu opositor para pedir-lhe perdão.

Esse arrependimento muda não apenas a sua vida mas a de um senhor que a tudo observava e que decide então aproximar-se dele para fazer uma terrível confidência: anos antes, havia estrangulado uma jovem senhora porque igualmente fora preterido na hora em que ela decidiu-se por casar com outro.

É que passaram-se os anos e ele conseguira culpar um servo da ex-amante que acaba morrendo de tristeza e levando a culpa pelo assassinato que não cometera.

Ao ver o tremendo gesto de perdão do duelista, este senhor resolve imitá-lo, romper o silêncio e anunciar para toda a sociedade que ele era o verdadeiro matador, mesmo sob o risco, irônico, de ninguém levar sua confidência a sério e ainda acreditá-lo como um louco.

Mas o que isso tem a ver com nossas vidas e com nosso serviço a Cristo? O que esses arrependimentos podem significar, além do fato de termos tido a coragem de afirmar nossas culpas e nossos pecados?

O que o duelista arrependido e seu amigo confidente fazem é abraçar o Amor que Cristo nos oferece. Não importam mais o ego ferido, as humilhações, os sofrimentos. O mais importante torna-se agir de acordo com o Amor que apenas Deus é capaz de nos dar e propiciar.

Assim como os personagens de Dostoievski, em nossa trajetória na terra um dia acabaremos por nos confrontar com essa Verdade. Se queremos fazer parte do Reino de Deus, precisamos ser iguais a Ele e o Amor precisa abundar em nossas vidas.

Jogamos para os bosques as pistolas do ressentimento e da competição, abandonamos as posturas beligerantes em troca da Paz de Cristo. Tudo acaba subordinado a este Amor e ao serviço a Cristo realizado nele e através dele.

Por isso, pedir perdão, perdoar e entregar-se à vontade do Pai tornam-se maravilhas às quais nos submetemos com alegria reverente. Tornamo-nos homens e mulheres modelados de acordo com os parâmetros dados pelo Senhor. É o fim da mentira, do medo e da opressão do pecado.

Nunca é tarde para nos arrependermos e deixar a Verdade triunfar. Trata-se da expressão do Amor do Pai em nossas vidas, na prática. Não em desejo ou meta mas em ação concreta. É chegada a hora de cumprir o Evangelho em nossas vidas e partilhar das maravilhas do Amor de Cristo reservadas para nós antes da fundação do mundo.

"Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" Efésios 1:4

"Coisas ocultas"

"Naquela ocasião Jesus disse: 'Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos.  Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado.'" Mateus 11:25,26

Muitos questionam a existência de Deus alegando não existir nenhum indício ou argumento plausível que fundamente isso. Para tais, a menos que se esvaziem de seus "sentidos da vida", sempre será impossível ver aquelas coisas ocultas. Não há espaço para Deus num coração ocupado. Ou é tudo, ou é nada. E Deus não vai disputar espaço com meras "coisas".

É certo que Deus nos deu autonomia de vontade, e também que muitos infelizmente decidiram que buscar "coisas mais interessantes", "a sua felicidade", etc. Talvez em algum momento essas pessoas olhem para cima. Muitos olham quando "O pecado do homem mau o apanha na sua própria armadilha..." (Provérbios 29:6a), momento em que podem acabar se esvaziando da sua autossuficiência, e então ver as "coisas ocultas".

De uma forma ou de outra, estar "num baixo nível" onde se vê as "coisas ocultas" faz toda a diferença na vida!

"Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus." (Mateus 5:3)