Somente dois lados

Disse Jesus: "Aquele que não está comigo é contra mim, e aquele que comigo não ajunta, espalha." Lucas 11:23

Estas poucas e francas palavras de Jesus deixa bem claro que quem não ajuda atrapalha. Resta agora decidir em qual lado se quer estar. Simplesmente basta não ajudar para atrapalhar. Imagine quantas pessoas hoje infelizmente estão se opondo à Deus!

Os dois lados:

1. Estar com Jesus:  "Jesus dizia a todos: 'Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me.'" (Lucas 9:23). Jesus veio morrer a morte que nós merecíamos. Assim o mínimo que podemos fazer é darmos a nossa vida a Ele para fazermos a Sua vontade. Isto é se negar a si mesmo. Significa morrer para o mundo e suas possibilidades à medida que seguimos o Seu comando e exemplo. Este é o único jeito de se estar com Ele.

2. Para se opor, como dito, basta não participar da causa cristã e consequentemente: "Ele punirá os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Eles sofrerão a pena de destruição eterna, a separação da presença do Senhor e da majestade do seu poder." (2 Tessalonicenses 1:7-9).

Apocalipse 14:11a diz: "A fumaça do tormento de tais pessoas sobe para todo o sempre."

Deus demonstrou uma grande justiça e um grande amor - O Seu Filho quis entrar em nosso lugar para tomar o nosso castigo. Vamos valorizar ou desprezar o Seu amor? Em que lado estaremos?

"Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus?..." (Hebreus 10:29a)

A verdadeira virada

"No sábado saímos para fora das muralhas, junto ao rio, onde pensávamos haver um lugar para a oração. Ali nos sentamos e falamos com as mulheres que se achavam reunidas. Uma mulher chamada Lídia, negociante de púrpura da cidade de Tiatira e temente a Deus, escutava-nos com atenção. O Senhor lhe abrira o coração para aceitar as coisas que Paulo dizia" Atos 16:13-14

O Livro de Atos foi escrito por Lucas, um médico judeu que também é o autor do terceiro evangelho do Novo Testamento. No Livro de Atos, ele narra, dentre outros fatos, as viagens que Paulo fez como o evangelista dos gentios gregos, romanos e macedônios.

Na passagem acima, Lucas descreve como uma mulher chamada Lidia, na cidade de Filipos, na Macedônia, aceitou seus ensinamentos com humildade. Curiosamente, o narrador fala em como Deus "lhe abrira o coração".

Assim como Lídia, milhares de pessoas desejam sinceramente o arrependimento. Lucas diz que ela era "temente a Deus". Mas nem  todos nós conseguimos nos sobrepor ao desejos da carne e continuamos na fornicação ou na prostituição, na mentira e na corrida diária para saciar nossas próprias vontades. E isso mesmo tendo consciência de que estamos em frontal oposição aos desejos do Senhor para nossas vidas.

Pessoas nessa situação precisam orar para que Deus faça com elas o que fez com a comerciante de Filipos. Ele tem poder para abrir o nosso coração e botar nele o ímpeto necessário para nos curvar a sua vontade, entregando nosso corpo em sacrifício a Ele.

Temos aqui um motivo genuíno para orar na virada do ano, já que estamos às vésperas de 2012. Nada de pedir "bênçãos materiais". Um emprego novo, a compra de uma casa, uma viagem.  Precisamos orar para que Deus nos ajude a sermos humildes e para que aceitemos a sua vontade e não os nossos próprios desejos egoístas. Se for da vontade de Deus teremos tudo aquilo que necessitamos e almejamos. Ele nos entregará se assim o desejar porque Ele é fiel, justo e bom.

A verdade está em aceitar que Jesus é o Filho de Deus e que é a Ele que devemos honra e respeito. Pedir para que tenhamos fé a fim de obter coisas não deve ser o escopo dos desejos para o ano que vem. A verdadeira fé está em acreditar no Cristo e não naquilo que pretendemos realizar por nossa própria conta.

Anos terminam e começam. Não há nenhuma novidade no apagar do dia 31 e no acender das luzes da alvorada do dia 1. A única novidade terá sido aceitar que Ele é o nosso Salvador e Senhor. Se não nos arrependermos verdadeiramente, continuaremos presos às frustrações e aos anseios que preenchem o vazio nos corações a cada virada do ano.

Oremos para que Deus abra nossos corações e para que aceitemos a Verdade.

É preciso refletir sobre o sofrimento de Cristo

"Os homens que estavam guardando a Jesus, zombavam dele e o maltratavam. Vendavam-lhe os olhos e perguntavam: Adivinha quem foi que te bateu? E proferiam muitas outras injúrias contra ele" Lucas 22:63-65

"Batiam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e curvavam o joelho para reverenciá-lo"
Marcos 15:19

"Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca"
Isaías 53:7

Quando eu era mais novo, não gostava da imagem da Cruz e pendurado nela, o Cristo. Eu desconhecia a mensagem do padecimento e morte de Jesus. Ignorava a magnitude do fato mais importante da história da humanidade com efeito direto sobre meu futuro após a morte.

Eu não estava sozinho ao desprezar a Cruz. Até hoje, ela é rejeitada e a imagem de Cristo pregado no madeiro é motivo de escândalo para os homens. Há quem queira removê-la das paredes em edifícios e salas da administração pública sob a alegação de que o Estado não pode homenagear o Salvador. Que isso fique escondido ou restrito às casas dos crentes.

Eu não tenho imagens de Jesus na Cruz nem pretendo tê-la em minha casa. Mas eu gosto muito de pensar no seu sofrimento, de ler os relatos nos evangelhos que contam seu martírio e as humilhações pelas quais ele passou. Ao contrário do passado, me comprazo, no sentido em que me dá uma alegria reverente rememorar esse sofrimento, vivido em meu favor. Não gosto de ficar muito tempo sem meditar nisso e penso como eu gostaria de poder abraçá-lo e de agradecê-lo por tudo o que ele sofreu.

O verdadeiro cristão deve meditar sobre as feridas abertas no corpo do Nosso Senhor. Deve recordar as aflições pelas quais ele passou. Deve lembrar permanentemente das pessoas que o humilharam. Não podemos esquecer que Jesus foi entregue ao pior tipo de gente que havia em seu redor. Sacerdotes, homens da Lei, soldados e autoridades absolutamente alheias a sua mensagem e insensíveis as suas dores. Gente de coração duríssimo que mereceria seu desprezo e castigo.

Cuspiram-lhe e deram-lhe bofetadas em seu rosto. Zombaram e agrediram um homem indefeso, quase nu diante de seus escarnecedores.

Mas a eles e a todos submeteu-se o Cristo sem reclamar. E o fez porque foi obediente ao Pai e por amor de nós. Apesar do maravilhoso gesto, continuamos nossas vidas egoístas sem qualquer sentimento mais profundo de gratidão para com Nosso Senhor.

Preferimos nos preocupar com o "futuro do planeta". Discutimos o Código Florestal. Nos causa ansiedade o consumo excessivo dos bens naturais da terra. Estamos mais sensíveis à ecologia do que com a perspectiva da Vida Eterna com o Pai. Isso quando não estamos preocupados em esconder a Cruz, em rejeitá-la, em ignorá-la, em zombar dela. Esse comportamento matará definitivamente a muitos.

É preciso refletir, portanto, sobre o sofrimento de Cristo, antes de mais nada. Esse deve ser o pensamento preponderante em nossas vidas, além de servi-Lo em obediência. Discípulos fiéis não ignoram a morte de Jesus na Cruz. vão muito além de tornar isso um mero adorno em suas vidas.

A Graça esquecida

"E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça" João 1:16

"Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens" Tito 2:11

"Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus" 2 Timóteo 2:1

Preocupados em lutar pela chamada "realização pessoal", o que para muitos significa "subir na vida", poucos de nós percebemos a graça de Deus e todas as coisas maravilhosas que Ele nos concede para o nosso bem.

Também pudera, geralmente estamos focados em nossas próprias vidas, na consumação de desejos egoístas, na carreira, nos relacionamentos pessoais ou ambicionados em ficar ricos, em obter poder no trabalho, etc, etc.

Acontece que verdadeiros cristãos sabem que as realizações pessoais estão atreladas à vontade de Deus para nossas vidas. Mesmo cristãos costumamos esquecer do sacrifício de Jesus na Cruz e da graça do Senhor que nos permite o ingresso em seu Reino. Pois todos nós levantaremos dos nossos sepulcros. Aqueles que fizeram o bem para a vida eterna. Os que fizeram o mal para o juízo.

Se seremos julgados pela Palavra de Deus, importa-nos andar nela. E tê-la como modelo e parâmetro para nossas vidas. Assim, todas as coisas ficarão subordinadas ao Senhor, cabendo a Ele decidir o que importa em nossas vidas. Pois prevalece a Sua vontade para nós, antes dos nossos desejos e daquilo mesmo que desejamos para nossas vidas.

Mas nem todos admitem essa subordinação e rebelam-se. Não admitem que suas vidas devem ser "limitadas" pela Bíblia e suas ordens. Não querem perder o controle sobre seu próprio destino. Desobedientes, ficam então entregues ao pecado, afastados do Senhor e de sua Graça. Não enxergam que a Graça consiste em obtermos a vida eterna mesmo não merecendo-a. Não valorizam a verdadeira dádiva e não admitem o sacrifício pedido pelo Cristo ao tomarmos sua cruz e segui-lo.

É muito triste viver sem Cristo em nossas vidas. É uma experiência chocante observar o mundo submerso na escuridão a debater-se em traições, asssassinatos, maldades, crimes, malícias e adultérios. Mas as pessoas acostumam-se a viver assim embora o preço pago por essa vida egoísta seja a morte eterna.

Mesmo diante de insucessos, precisamos alertar as pessoas sobre as consequências de uma vida alheia a Cristo. Faz parte de nosso serviço a Cristo e pode significar um batismo, uma conversão sincera. Não temos o poder de salvar alguém mas temos o poder de agir sob a orientação do Senhor. Não fiquemos apenas observando. Falemos da Graça. Não tenhamos vergonha do Evangelho.

Julgamentos divergentes

"Nós conhecemos o amor que Deus tem por nós, e nele acreditamos. Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele" 1 João 4:16

"Finalmente, uni-vos num mesmo sentimento, sede compassivos, fraternos, misericordiosos e humildes. Não pagueis o mal com o mal, nem injúria com injúria"
1 Pedro 3:8-9

Existe alguma diferença entre a forma de julgar de Deus e a dos homens? É possível estabelecer semelhanças e diferenças entre a maneira que o Senhor julga os homens e a maneira com que os homens julgam outros homens? Esse tema daria um livro. E dos grandes.

Sabemos que Ele amou e amará a Humanidade, tendo por ela enviado seu próprio Filho para morrer na Cruz no lugar de nós, pecadores. A misericórdia de Deus livra-nos da morte eterna e ele nos convida a nos aproximar dele a fim de vivermos com o Pai nos céus após o julgamento que ele fará sobre todos. Os que tiverem feito o Bem para a Vida Eterna. Os que tiverem feito o mal para o fogo eterno.

Já não temos certeza, porém, no amor dos homens.  Afastados de Deus pelo pecado, consequentemente pensamos e agimos de forma diferente da dele. Logo, nossos julgamentos estarão em oposição aos dele. Já repararam que enquanto Deus exalta os que convergem para Ele, o mundo zomba dos que nele acreditam e confessam Jesus?

E já notaram que enquanto Deus entrega os incrédulos a todos os tipos de pecado, o mundo aprova essa triste condição sob o lema de que todos têm direito a serem felizes da forma que bem entenderem e determinarem?

Há, portanto, um enorme desencontro entre o que Deus aprova num homem e o que o homem aprova em outro homem. Enquanto Nosso Senhor rejeita o pecado e seu egoísmo, os homens chancelam os mais torpes comportamentos, como o adultério, a sodomia, a bigamia, o acúmulo de riquezas e as ações vingativas. São valores completamente opostos aos valores caros a Deus. Estamos falando, afinal, de reinos diferentes.

Existem, obviamente, julgamentos humanos baseados numa cultura. Até hoje, os países mais avançados do ponto de vista da absorção dos preceitos bíblicos não toleram comportamentos como a pedofilia e a poligamia. Um pai que usa a filha sexualmente ainda é severamente rejeitado pelo julgamento cristão. E é verdade que tais sociedades ocidentais, como a americana protestante, são impiedosamente atacadas pelo relativismo moral ateu. São os que querem fazer que o mundo aceite como naturais suas próprias perversões.

Daí a adequação dos estados e suas leis ao que prega a minoria barulhenta de homossexuais, ateus, sociólogos, antropólogos e "engenheiros sociais", todos ávidos por alterar a concepção cristã da vida.

Precisamos buscar ter os mesmos critérios de Jesus em nossos julgamentos, independentemente do possível esfacelamento das sociedades cristãs. Pois chegará um dia em que o certo se tornará errado e o errado se tornará o certo. Deus, porém é imutável e imutável também é a sua promessa. Como herdeiros do reino celestial, não nos acostumemos com a forma do mundo julgar o mundo. Muito menos aceitemos como normal o que o mundo julga ser natural. Pensemos como o Pai pensa e tudo o mais se tornará secundário. Afinal, a qual reino pertencemos?