A Graça esquecida

"E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça" João 1:16

"Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens" Tito 2:11

"Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus" 2 Timóteo 2:1

Preocupados em lutar pela chamada "realização pessoal", o que para muitos significa "subir na vida", poucos de nós percebemos a graça de Deus e todas as coisas maravilhosas que Ele nos concede para o nosso bem.

Também pudera, geralmente estamos focados em nossas próprias vidas, na consumação de desejos egoístas, na carreira, nos relacionamentos pessoais ou ambicionados em ficar ricos, em obter poder no trabalho, etc, etc.

Acontece que verdadeiros cristãos sabem que as realizações pessoais estão atreladas à vontade de Deus para nossas vidas. Mesmo cristãos costumamos esquecer do sacrifício de Jesus na Cruz e da graça do Senhor que nos permite o ingresso em seu Reino. Pois todos nós levantaremos dos nossos sepulcros. Aqueles que fizeram o bem para a vida eterna. Os que fizeram o mal para o juízo.

Se seremos julgados pela Palavra de Deus, importa-nos andar nela. E tê-la como modelo e parâmetro para nossas vidas. Assim, todas as coisas ficarão subordinadas ao Senhor, cabendo a Ele decidir o que importa em nossas vidas. Pois prevalece a Sua vontade para nós, antes dos nossos desejos e daquilo mesmo que desejamos para nossas vidas.

Mas nem todos admitem essa subordinação e rebelam-se. Não admitem que suas vidas devem ser "limitadas" pela Bíblia e suas ordens. Não querem perder o controle sobre seu próprio destino. Desobedientes, ficam então entregues ao pecado, afastados do Senhor e de sua Graça. Não enxergam que a Graça consiste em obtermos a vida eterna mesmo não merecendo-a. Não valorizam a verdadeira dádiva e não admitem o sacrifício pedido pelo Cristo ao tomarmos sua cruz e segui-lo.

É muito triste viver sem Cristo em nossas vidas. É uma experiência chocante observar o mundo submerso na escuridão a debater-se em traições, asssassinatos, maldades, crimes, malícias e adultérios. Mas as pessoas acostumam-se a viver assim embora o preço pago por essa vida egoísta seja a morte eterna.

Mesmo diante de insucessos, precisamos alertar as pessoas sobre as consequências de uma vida alheia a Cristo. Faz parte de nosso serviço a Cristo e pode significar um batismo, uma conversão sincera. Não temos o poder de salvar alguém mas temos o poder de agir sob a orientação do Senhor. Não fiquemos apenas observando. Falemos da Graça. Não tenhamos vergonha do Evangelho.

Julgamentos divergentes

"Nós conhecemos o amor que Deus tem por nós, e nele acreditamos. Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele" 1 João 4:16

"Finalmente, uni-vos num mesmo sentimento, sede compassivos, fraternos, misericordiosos e humildes. Não pagueis o mal com o mal, nem injúria com injúria"
1 Pedro 3:8-9

Existe alguma diferença entre a forma de julgar de Deus e a dos homens? É possível estabelecer semelhanças e diferenças entre a maneira que o Senhor julga os homens e a maneira com que os homens julgam outros homens? Esse tema daria um livro. E dos grandes.

Sabemos que Ele amou e amará a Humanidade, tendo por ela enviado seu próprio Filho para morrer na Cruz no lugar de nós, pecadores. A misericórdia de Deus livra-nos da morte eterna e ele nos convida a nos aproximar dele a fim de vivermos com o Pai nos céus após o julgamento que ele fará sobre todos. Os que tiverem feito o Bem para a Vida Eterna. Os que tiverem feito o mal para o fogo eterno.

Já não temos certeza, porém, no amor dos homens.  Afastados de Deus pelo pecado, consequentemente pensamos e agimos de forma diferente da dele. Logo, nossos julgamentos estarão em oposição aos dele. Já repararam que enquanto Deus exalta os que convergem para Ele, o mundo zomba dos que nele acreditam e confessam Jesus?

E já notaram que enquanto Deus entrega os incrédulos a todos os tipos de pecado, o mundo aprova essa triste condição sob o lema de que todos têm direito a serem felizes da forma que bem entenderem e determinarem?

Há, portanto, um enorme desencontro entre o que Deus aprova num homem e o que o homem aprova em outro homem. Enquanto Nosso Senhor rejeita o pecado e seu egoísmo, os homens chancelam os mais torpes comportamentos, como o adultério, a sodomia, a bigamia, o acúmulo de riquezas e as ações vingativas. São valores completamente opostos aos valores caros a Deus. Estamos falando, afinal, de reinos diferentes.

Existem, obviamente, julgamentos humanos baseados numa cultura. Até hoje, os países mais avançados do ponto de vista da absorção dos preceitos bíblicos não toleram comportamentos como a pedofilia e a poligamia. Um pai que usa a filha sexualmente ainda é severamente rejeitado pelo julgamento cristão. E é verdade que tais sociedades ocidentais, como a americana protestante, são impiedosamente atacadas pelo relativismo moral ateu. São os que querem fazer que o mundo aceite como naturais suas próprias perversões.

Daí a adequação dos estados e suas leis ao que prega a minoria barulhenta de homossexuais, ateus, sociólogos, antropólogos e "engenheiros sociais", todos ávidos por alterar a concepção cristã da vida.

Precisamos buscar ter os mesmos critérios de Jesus em nossos julgamentos, independentemente do possível esfacelamento das sociedades cristãs. Pois chegará um dia em que o certo se tornará errado e o errado se tornará o certo. Deus, porém é imutável e imutável também é a sua promessa. Como herdeiros do reino celestial, não nos acostumemos com a forma do mundo julgar o mundo. Muito menos aceitemos como normal o que o mundo julga ser natural. Pensemos como o Pai pensa e tudo o mais se tornará secundário. Afinal, a qual reino pertencemos?

Rebeldes ou obedientes?

"Pensai nas coisas do Alto e não nas coisas da terra" 
 Colossenses 3:2

"Dessas coisas é que provém a cólera de Deus sobre os filhos rebeldes"
Colossenses 3:6


Ninguém gosta de ouvir outras pessoas dizerem o que temos de fazer em nossas vidas. Somos naturalmente rebeldes e preferimos fazer as coisas do nosso jeito mesmo sabendo que elas podem nos prejudicar. A nós e os outros que dependem do acerto ou do erro de nossas decisões. E às vezes o fazemos por birra, por uma incontrolável mania de reafirmar nossa independência perante à família, o governo e à sociedade que nos circunda.

Além disso, a mídia e os amigos em geral incentivam a liberdade necessária para sermos egoístas perfeitos. Para fazermos o que convém em primeiro lugar a nós mesmos. Passe numa livraria e veja a quantidade de livros de auto-ajuda. O nome já está dizendo: a literatura serve para que você aprimore o dom do egoísmo. Cuide de si mesmo, antes de mais nada.

Nos programas de televisão é a mesma coisa. Você precisa cuidar da sua saúde, da sua vida. Casou e está com problemas no casamento? Não tem problema. Separe-se e vá curtir uma nova vida de solteiro. Você tem direito a ser feliz, não é mesmo?

Apenas corações arrependidos e genuinamente dispostos a fazer a vontade do Senhor têm ouvidos para ouvir o Evangelho e para aceitar as implicações de servir a Cristo. Que são justamente o contrário das mensagens incetivadoras do egoísmo. O Evangelho é a mensagem da Salvação e é a Verdade. Fora dele fazemos o que bem entendemos, inclusive adorar outros deuses, seguir filosofias, idolatrar anjos ou simplesmente não crer em nada.

Precisamos entender o Evangelho de Cristo como o único caminho pelo qual vale a pena trafegar. Não para buscar bênçãos materiais ou consolo dos nossos fracassos pessoais mas para entender o que é servir o Criador ao invés de servir você mesmo, criatura dele.

Como diz Paulo, precisamos pensar nas coisas do Alto e isso significará olhar para o Reino de Deus tirando o nosso foco na interminável sucessão de busca por coisas da terra. É nisso que se insere a obediência ao Senhor, não agindo mais por conta própria mas movido pelo Amor de Deus. A verdadeira liberdade é ser escravo desse Amor.

Se alguém lhe propuser um exame autêntico do Evangelho, aceite o desafio. Deixe que a Palavra de Deus tome conta de sua vida. Aceite o aconselhamento do Senhor livrando-se das próprias opiniões e das próprias decisões que visam apenas o conforto do nosso Eu. Ele nos deixou sua Palavra. É ela e apenas ela que deve guiar nossas vidas.

Caminhos enganosos

"Porque virá tempo em que as pessoas já não suportarão a sã doutrina, mas procurarão mestres que lhes falem o que é agradável ao ouvido. E assim, deixam de escutar a verdade e voltam-se para as fábulas." 2 Tm 4:3-4

Afinal, por qual razão um número imponderável de pessoas rejeita a Verdade das Escrituras e acredita nas mais complexas fontes de idolatria? Por que é mais fácil acreditar nas doutrinas do tipo kardecista e umbandista a ler e aplicar os ensinamentos bíblicos em nossas vidas, transformando-as pelo poder da Palavra? O que leva alguém a idolatrar anjos ao invés de tomar a Cruz de Cristo? Como pode alguém preferir centenas de santos diplomados pela Igreja Católica ao próprio Salvador? Por que fazer de Maria, a mãe de Jesus na carne, a "Mãe de Deus"?

Não é simples responder a essas interrogações. Mas o fato de Cristo exigir um novo nascimento (Jo 3:3) talvez possa esclarecer as relações entre o homem e as religiões ou entre a busca do ser humano pelo sobrenatural em suas vidas.

O fato principal é que todas as religiões e crenças não mudam profundamente o comportamento humano. Elas sinalizam para a adoção de uma nova atitude sem provocar a alteração necessária para que uma pessoa morra para o ressurgimento de uma nova criatura (Gl 6:15).

Apenas a Palavra de Deus tem o poder da transformação. O que mentia, fornicava, adulterava, blasfemava, enganava e corrompia, abandona as práticas terrenas para viver em linha com os preceitos do Alto. Ninguém torna-se piedoso, no sentido de viver para agradar a Cristo, se não passar pelas águas do batismo bíblico e ressuscitar para uma nova vida.

No entanto, buscamos aquilo que nos faz viver melhor sem que tenhamos de abrir mão das coisas da carne. E daí surgem as idolatrias por santos, anjos e entidades que nada exigem de nós. Uma mudançazinha aqui, outra acolá sem que nada toque na mais profunda ferida da nossa alma.

Em paralelo a isso, achamos estranho quando alguém nos alerta sobre os perigos de viver achando que estamos agradando ao Senhor sem que estejamos obedecendo-o, biblicamente falando. Para essas pessoas, Deus não pode ser injusto. Ele não pode castigar uma pessoa boa porque comete erros. Estas pessoas vivem num ambiente moralmente frouxo, que clama por perdão quando o juízo de Deus será feito pela sua Palavra, gostemos disso ou não.

Portanto, não nos enganemos com os falsos deuses que diariamente buscamos e criamos para nós mesmos. Eles não vão nos salvar mas dirão coisas que agradarão nossos ouvidos e sentidos carnais. Ao invés de nos elevarem aos céus, aprofundam nossa miséria na terra. O que escolheremos? O sacrifício da Cruz ou o deleite de um Ego satisfeito consigo mesmo?

O problema de Nicodemos é o nosso problema

"Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus,os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus." João 1:12-13

"Ele veio a Jesus, à noite, e disse: 'Mestre, sabemos que ensinas da parte de Deus, pois ninguém pode realizar os sinais miraculosos que estás fazendo, se Deus não estiver com ele'. Em resposta, Jesus declarou: 'Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo'. Perguntou Nicodemos: 'Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer!' Respondeu Jesus: 'Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito. Não se surpreenda pelo fato de eu ter dito: É necessário que vocês nasçam de novo.'"
João 3:2-7

Um dos homens mais respeitados entre os judeus, uma autoridade, um mestre da Lei, um fariseu. Nicodemos era tudo isso e por causa disso poderíamos supor que ele teria condições de compreender Jesus. Um diálogo entre os dois discorreria em alto nível. Mas não foi o que aconteceu. Nicodemos não entendeu as palavras de Jesus no que diz respeito às obrigações necessárias para que façamos parte do reino de Deus. E elas são tão simples...

Nicodemos não compreendia o que Jesus estava querendo dizer com a necessidade de "nascer de novo" para ganhar o reino dos céus e tornar-se filho do Senhor. Ele raciocionou como homem carnal. Afinal, há uma impossibilidade física em retornarmos, já depois de nascidos, ao ventre materno.

Jesus, porém, falava do nascimento espiritual. O que significa na morte do velho homem, nascido na carne e da vontade da carne para o advento de uma nova criatura, esta nascida de Deus.

Mas o que devemos fazer para nascermos de Deus? Há alguma mágica nisso? Não. Esse novo nascimento está implícito no ato de acreditar no testemunho do Cristo. De reconhecê-lo como a Verdade que nos libertará da morte eterna. E de obedecê-lo. Jesus veio para o meio de sua criação e ela o rejeitou. Mas, em compensação, aos que crerem Ele os receberá como filho. Eis a nova criatura nascida de Deus, o filho gerado por ele em Espírito e em Verdade. E isso a partir da fé Naquele que nos gerou como suas criaturas.

Nicodemos não entendeu. Milhares continuam sem compreender ou sem querer entender. Morreremos como filhos da vontade da carne ou morreremos para ressuscitar para a Vida Eterna como filhos do criador. O que decidiremos? Esta pergunta advém de um problema que Nicodemus sequer soube entender nem, portanto, resolver. O problema de Nicodemus é o nosso problema. Como o resolveremos?