Um versículo, três aspirações.

"Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado" (Romanos 6:6)


O que significa para nós a morte de Jesus Cristo na Cruz? Em sua carta aos Romanos, Paulo indica que: 1) A Cruz representa a morte de quem éramos antes da conversão. Ao abandonar o pecado e viver em Cristo, cumprimos a morte do "velho homem" pregado com Cristo no madeiro. 2) O corpo do pecado, pelo qual nos afastamos de Deus com nosso comportamento afrontoso às suas leis é destruído. O termo, em grego, significa torná-lo inativo. É como se os desejos do corpo e sua insaciabilidade por sexo, álcool, comida, drogas, etc, etc, ficassem amortecidos, destituídos de poder. Com a ajuda do Espírito Santo (Rm 8:13), o Cristão não têm dificuldades para manter o corpo do pecado sob controle. 3) Na última parte do versículo, Paulo avisa que a Cruz nos tira da escravidão do pecado. A morte de Cristo nos faz trocar de senhores: sai o Mundo e entra o Senhor. Tornamo-nos escravos de Deus. Passamos a obedecer somente a Ele e a antiga escravidão ao pecado é abolida com o corpo massacrado e o sangue derramado do Cristo.

Precisamos ter como alvo essas aspirações. Abandonar o velho homem, tornar inativo o corpo do pecado e servir a Deus, livrando-nos do terrível jugo de um senhor que nos leva à morte espiritual e abraçando aquele que nos dá vida e vida em abundância.

O que Deus faz conosco quando O buscamos?

Para responder a essa pergunta, vamos ler os três primeiros versículos, por ora, do Salmo 40, um dos mais belos hinos de Amor ao Senhor escrito por Davi.
Logo no primeiro versículo, uma informação preciosa do salmista (a versão usada aqui é a da NVI): "Coloquei toda minha esperança no Senhor;" O salmo abre assim, com essa expressão que determinará o resto. O ponto de partida de nossa conversão a Cristo, a nossa ação em direção a Ele.

Continuando, no primeiro verso, a sequência diz: "ele se inclinou para mim e ouviu o meu grito de socorro". É assim: Deus escuta nossos lamentos quando nos dirigimos a Ele com respeito e sede da sua misericórdia. Não importa o quanto pecadores somos e o quanto não merecedores somos de sua atenção. Assim como o salmista, Ele nos escutou e muda completamente nossa vida.
No verso 2, a situação do escritor: "Ele me tirou de um poço de destruição, de um atoleiro de lama; pôs os meus pés sobre uma rocha e firmou-me num lugar seguro." Vivemos no pecado, estamos sem saída.
Todos nós que experimentamos o socorro divino somos transportados do fundo do poço e da lama e colocados em terra fime e inabalável. Deixamos situações precárias de vida, no casamento, na profissão, na relação com os filhos e nos tornamos maduros, adultos e plenamente capazes de agir mesmo em grande dificuldade. Capacidade nos dada por Ele, só por Ele.

O versículo 3: "Pôs um novo cântico em minha boca, um hino de louvor ao nosso Deus. Muitos verão isso e temerão e confiarão no Senhor".
Deus, na verdade, nos vira pelo avesso e muda nossa maneira de pensar e de agir. Falamos de forma diferente, aconselhamos, reagimos e explicamos as coisas como se fôssemos uma nova criatura. É um "novo cântico em nossa boca". O resultado é que muitos verão nossa mudança, ficaram intrigados e perplexos e passaram a respeitar o Senhor, confiando nesse novo testemunho.
Estes são os primeiros três versículos do Salmo 40. Que maravilhoso resumo do que Deus é capaz de fazer em nossas vidas se O buscarmos de todo o coração. Que nova disposição de vida e vida em abundância.

Hebreus 12

Listamos abaixo duas versões para os versos 1 e 2 do capítulo 12 da carta aos Hebreus. Logo em seguida, oferecemos um comentário a respeito do que o autor escreve aqui.

"Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está sentado à destra do trono de Deus" (Hebreus 12: 1-2)

A versão acima é a da Revista e Atualizada. Segue abaixo a da Revista e Corrigida que diz:

"Portanto, nós também que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão perto nos rodeia e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a afronta e assentou-se à destra do trono de Deus" (Hebreus 12:1-2)

Nestes dois versículos, palavras de encorajamento tendo como alvo o exemplo do Cristo a ser imitado. Pois, também como nós, teve o pecado a rondá-lo em sua passagem pela Terra, foi provado na carne e por Satanás, porém mantendo-se imaculado e obediente ao Pai. Jesus é o nosso principal modelo moral, de conduta, de vida, de tudo.

No versículo 1, uma constatação: o pecado nos ronda, nos assedia, nos constrange sem tréguas. A solução: a carreira em direção ao nosso alvo, o Cristo Crucificado, proposta por Ele mesmo, o autor e consumador da fé.

No versículo 2, Ele novamente, suportando a Cruz e as humilhações, não fez caso das ignomínias que sofreu, sabendo que era odiado sem motivos. Tendo tudo passado em nosso favor, levando consigo para o madeiro os nossos pecados e culpas.

Que versículos encorajadores. Que exemplo a ser observado diariamente em nossa luta contra o pecado, a fantasia, a fuga das responsabilidades, as terras distantes. Que exemplo a tantos filhos pródigos que trocaram a casa segura da fé pela estrada do pecado. Que Hebreus 12 esteja sempre a nos aconselhar.

Um Homem Que Enfrentou Uma Multidão

(2 Crônicas 18:3-14 NVI)

Acabe, rei de Israel, perguntou a Josafá, rei de Judá: "Irás comigo lutar contra Ramote-Gileade? " Josafá respondeu: "Sou como tu, e meu povo é como o teu povo; estaremos contigo na guerra". Mas acrescentou: "Peço-te que busques primeiro o conselho do Senhor".

Então o rei de Israel reuniu quatrocentos profetas, e lhes perguntou: "Devemos ir à guerra contra Ramote-Gileade, ou não? " Eles responderam: "Sim, pois Deus a entregará nas mãos do rei".

- Perceba a quantidade de profetas anunciado mentiras. Imagine o contexto - 400 profetas anunciando enganosamente, seja consciente ou não, uma suposta mensagem de Deus. Este trecho mostra que é possível a maioria religiosa estar profetizando mentiras.

Josafá, porém, perguntou: "Não existe aqui mais nenhum profeta do Senhor, a quem possamos consultar?"

O rei de Israel respondeu a Josafá: "Ainda há um homem por meio de quem podemos consultar o Senhor, mas eu o odeio, porque nunca profetiza coisas boas a meu respeito, mas sempre coisas ruins. É Micaías, filho de Inlá". "O rei não deveria dizer isso", Josafá respondeu.

- Contrastando com aquela enorme multidão de "profetas", veja a quantidade de profetas "do Senhor". Nesta situação, a proporção era de 400 por 1. Um só homem estava "em nome do Senhor" enquanto os outros profetizavam enganos. Isso mostra, e muitas outra passagens nas Escrituras, que é bem possível que os profetas que falam em nome do Senhor serem minoria. Não devemos nos espantar em ver que a multidão religiosa ao nosso redor está proclamando mentiras, pois como essa passagem evidencia, isto é bastante possível. Outra ponto a ressaltar é que este Um foi odiado. Poderíamos imaginar que por ser raro alguém que falasse a Verdade de Deus ele seria amado e prestigiado por todos, mas o que se viu foi outra coisa - ódio. Era odiado porque "nunca profetiza coisas boas... mas sempre coisas ruins". Isso ainda é muito comum hoje, não devemos nos enganar. Muitos "religiosos" hoje se opoem fortemente quando se tenta pregar a Palavra.

Então o rei de Israel chamou um dos seus oficiais e disse: "Traga Micaías, filho de Inlá, imediatamente".

Usando vestes reais, o rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam sentados em seus tronos, na eira, junto à porta de Samaria, e todos os profetas estavam profetizando em transe diante deles.

E Zedequias, filho de Quenaaná, tinha feito chifres de ferro, e declarou: "Assim diz o Senhor: ‘Com estes chifres tu ferirás os arameus até que sejam destruídos’ ".

- Olha a audácia do mentiroso! Teve todo o trabalho de fundir o metal e fazer chifres de ferro para dar um "ar" de autoridade às suas mentiras. Não devemos nos surpreender se muitos mentirosos hoje em dia fazerem shows e prodígios afim de impressionar e tornar as mentiras deles mais aceitáveis.

Todos os outros profetas estavam profetizando a mesma coisa, dizendo: "Ataca Ramote-Gileade, e serás vitorioso, pois o Senhor a entregará nas mãos do rei".

- Que situação! Um bando de profetas enganados e enganando. Nunca é demais frisar que nem sempre a maioria está certa, especialmente se tratando de assuntos espirituais. E certamente neste caso "a voz do povo não era a voz de Deus". Observando isto, devemos estar alertas, pois isso certamente pode estar acontecendo hoje.

O mensageiro que tinha ido chamar Micaías lhe disse: "Veja, todos os outros profetas estão predizendo que o rei terá sucesso. Sua palavra também deve ser favorável".

Micaías, porém, disse: "Juro pelo nome do Senhor, que direi o que o meu Deus mandar".

-Pressão. Imagina a pressão que este profeta estava lidando. Todos os "religiosos" estavam dizendo uma coisa. O Rei queria ouvir esta mesma coisa. O mensageiro advertiu com um tom ameçador a que "sua palavra também deve ser favorável". E agora? O que fazer? Este homem é admirável pelo que ele disse em seguida: "Juro pelo nome do Senhor, que direi o que o meu Deus mandar". É isso que fazemos quando vamos proclamar a Palavra de Deus nesse mundo apóstata? Ou é mais fácil ficar calado e deixar as pessoas insultar a Deus e blasfemar a sua Palavra? Para se manter firme é preciso coragem. É preciso convicção naquilo que acreditamos, caso contrário nunca brilharemos como luz nesse mundo tenebroso, sendo sempre uma estrela meio apagada, apática. Deus não nos chamou para isso!


Consequências (v. 23 e 26)

Então Zedequias, filho de Quenaaná, aproximou-se, deu um tapa no rosto de Micaías e perguntou: "Por qual caminho foi o espírito da parte do Senhor, quando saiu de mim para falar a você?"

- Zombaria. Perseguição. Hostilidade. Da mesma forma que o "profeta" da época reagiu a Micaías, não devemos pensar que as pessoas vá nos aplaudir quando isso ocorrer. Ele não foi aplaudido, mas foi tratado com hostilidade. Demos estar preparados para a rejeição. Se entrarmos neste caminho buscando aprovação das pessoas, certamente ou vamos deixar de proclamar a Verdade e passar aos enganos, ou vamos abandonar a fé. Da mesma forma que a elite religiosa reagiu a Micaías, a Jesus, os apóstolos e etc. é bastantíssimo provável que vá reagir ao discípulo fiel da mesma forma nos dias de hoje.

e digam: Assim diz o rei: Ponham este homem na prisão a pão e água, até que eu volte em segurança".

- Agressão. Hostilidade. Veja como trataram Micaías. Lembre-se de como trataram Jesus. Veja como trataram Paulo, Pedro, Estevão, Tiago e demais cristãos. Talvez hoje não haja tanta violência física, mas há psicológica, social e etc. Muitas rejeições e zombarias na vida virão por sermos seguidores de Cristo. Não devemos nos enganar, e muito menos desanimar!


Conclusão:

- A maioria dos religiosos falavam mentira. Será que não está ocorrendo hoje? Cuidado com a elite religiosa.

- Um só estava "pelo Senho". Veja a grande desproporção: 400 por 1. Não estou dizendo que isso é uma fórmula, mas sim um sinal de quão grande é a diferença entre os profetas que falam a verdade e os que falam mentiras. Não são todos os que entram pelo Caminho Estreito, devemos esperar que seja minoria mesmo.

- Foi preciso coragem e convicção para falar a Verdade.

- Micaías foi odiado e impopular. Acredite que isto certamente acontece hoje.

- Houve hostilidade. Quantas vezes já fomos menosprezados ou zombados por causa da nossa fé?

Bom, como Jesus disse: "E sereis odiados por todos por amor do meu nome; mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo" (Marcos 13:13)
 
Estejamos alertas!

O Amor às Riquezas Conduz à Perdição

"Porque nada trouxemos para este mundo e nada dele poderemos levar. Tendo alimento e vestuário, fiquemos satisfeitos. Os que desejam enriquecer caem na armadilha da tentação, em muitos desejos loucos e perniciosos que mergulham as pessoas na perdição e na ruína, porque a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro. Por causa dela muitos se extraviaram da fé e se atormentam com muitos sofrimentos" (1 Timóteo 6:7-10)

Este blog é fã desse ascetismo de Paulo, embora ainda não tenhamos a capacidade de viver como ele propõe. Ainda. Essa idéia de ter comida e roupa e de esnobar o resto, o sucesso, os carros, os investimentos imobiliários, os bens tecnológicos da vida, isso é francamente genial, isso é uma inversão dos mais básicos conceitos ocidentais de felicidade, felicidade que, aliás, essa sociedade não consegue nunca obter. Mas apesar de fantástico como meta na vida, o conceito paulino de pão e roupa é ridicularizado pelo mundo, é sinal de falta de ambição, de pouca auto-estima. O sujeito que prega isso é um fracassado. E o pior: nas Igrejas ele também é ignorado pois o que vale é a prosperidade material do crente. Pastores e "líderes espirituais" enriqueceram e estimulam o enriquecimento. Transmitem a noção da felicidade mundana em que tudo é possível materialmente para Cristo e para aquele que Nele crê. Mas Cristo não morreu para nos dar lotes e automóveis e ações na Bolsa. Ele morreu para nos salvar da morte eterna do pecado. Enquanto não pregarmos a simplicidade da vida espiritual, continuaremos presos à materialidade carnal que nos levará à ruína, como nos adverte o apóstolo. Que maravilhoso será o dia em que o alimento espiritual bastará para nos encher de alegria.